22 de abril de 2026
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Pesquisadores da Universidade de Edimburgo (Reino Unido) e do Instituto de Ciências Médicas de Nizam, em Hyderabad (Índia), descobriram que falar mais de uma língua ajuda a retardar em quase cinco anos o surgimento de demência e do Alzheimer – e se mostrou mais eficiente do que o efeito de remédios.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores acompanharam quase 650 pessoas com demência na Índia, das quais 60% eram bilíngues. Aquelas que falavam mais de uma língua desenvolveram a doença 4,5 anos mais tarde que a média daqueles que só falavam uma (aos 65 anos, contra 61). O atraso variava entre três anos para a doença de Alzheimer e seis anos para a demência frontotemporal.
E a vantagem de ser bilíngue valia inclusive para pessoas analfabetas que não haviam frequentado a escola, o que indica que o efeito não é causado por diferenças na educação formal. Além disso, quem falava mais de duas línguas não teve vantagens sobre quem falava apenas duas.
Outras pesquisas haviam apontado educação, gênero, ocupação e local de moradia (se a pessoa vive no campo ou na cidade) como fatores que poderiam influenciar o aparecimento de demência.
Este, no entanto, foi o maior estudo a medir o impacto exclusivo do bilinguismo em relação à doença.
Os pesquisadores acreditam que as trocas entre diferentes sons, palavras, conceitos, estruturas gramaticais e normas sociais que os falantes de duas ou mais línguas diferentes precisam fazer acabam sendo uma forma natural de treinamento do cérebro, provendo uma espécie de “reserva cognitiva” que tende a ser mais eficaz do que qualquer treino artificial, como jogos e outros exercícios. Mas outros estudos são necessários para que se entenda melhor como isso acontece.
“Estes resultados sugerem que o bilinguismo pode ter uma influência mais forte sobre a demência do que as drogas atualmente possíveis. Por isso, o estudo da relação entre bilinguismo e cognição é uma das nossas prioridades agora”, disse Thomas Bak, da Universidade de Edimburgo.
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